quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Poema para Neruda


Meu preito de gratidão a Pablo Neruda



I

Conheço-te entre ideais
assim, dentro do labirinto de teus poemas
são como sinos de capelas, evocando
uma tempestade de justiça e um derrame de amor.
Tua poesia é como vinho ardente e embriagador
me torna serena e com pruridos de imortalidade.
Beijo teus versos
rasgando oceanos em fúria e apedrejando impotências
abro as celas de todos os cárceres
abrindo janelas de par em par aos gritos de justiça
pelas flores que nascem mortas.
Sinto que és irmão do homem sem pão
que tua bandeira é universal
porque te debateste por ela
te feriste na batalha da igualdade sem engolir o sangue das derrotas.


II


Aqui te reencontro quando
com tua candeia me despertas para a dor das guerras suicidas.
Quando de tua voz abraças-me para um nascer entre amigos
visto-me do orvalho cheiroso de tuas palavras.
Almejaste um rebanho sem ovelhas negras
e como médico de teu povo
teus versos curaram tantas feridas…
Falaste ainda da miséria esquecida, como
flor que se pusesse a machucar nos caminhos…
E, triste, coordenaste horizontes, esmagados por botas de ferro.
Mas soubeste ainda sorrir, porque como poeta
conheceste as paralelas desiguais da vida.
Deslumbro teu vulto, sóbrio dentro das esquinas de teus versos
onde os homens espelham vidas, onde se divide o pão.


III


Os que não te amaram são os errados de seus poderios.
Então tua poesia foi guerra
e como ave liberta empreendeste voos.
Como numa taça de champanhe
estou a sorver teus versos sedutores
brindando pela eloquência de teu destino.
Mas como tu nasceste
para espalhar vida e amor
apalpo as veias de teus versos sedutores
e bebo deles um sangue de céu anilado
um burburinho de abismos
que se abre como crateras de luz branca.


IV

… versos descortinando consciências
sem grilhões aos esperançados de horizontes.
Tuas flores têm a cor da liberdade e da paz
e em tua sepultura jamais elas fenecem
porque teus versos são glórias do amor entre fuzis
do amor sem fronteiras ou espinhos
de palavras arco-íris que não perdem a cor
de ventos que repetem ecos
e de sóis que se aquecem
resguardando-te até a eternidade.



Alvina Nunes Tzovenos
Publicado no 'Almanaque Gaúcho'
Jornal Zero Hora - 22/06/2012